Associação Catarinense de Ensino - Faculdade Guilherme Guimbala 
 

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Ensaios

 

A Auação da Psicologia Escolar/Educacional em Joinville

Profª Ms. Rosnelda Ponick¹

A Psicologia Educacional/Escolar da Faculdade de Psicologia de Joinville tem um longo percurso de atuações junto às instituições da cidade. Nelas são desenvolvidas atividades com crianças, pais, professores, equipe técnica e outros, e os temas discutidos são particulares, atendendo a demanda que se apresenta naquele momento em cada espaço de trabalho.

É um campo de atuação com várias implicações no contexto social e que tem sido modificada radicalmente ao longo de sua história, buscando sempre uma prática que possibilite um lugar para o sujeito que está envolvido no cenário onde acontece a atuação.

A Psicologia Escolar/Educacional segundo a Associação Brasileira de Psicologia Escolar/Educacional (ABRAPEE) caracteriza a Psicologia Escolar por uma atuação que intervem na prática, enquanto que a dos psicólogos educacionais, geralmente, se direcionam para as áreas de ensino e pesquisa.

Mas, entende-se aqui que teoria e prática não podem se desvincular, o psicólogo escolar/educacional em seu espaço de trabalho, além da prática, precisa ter um olhar de pesquisador, levantando dados, analisando e avaliando o contexto e as diversas situações que se apresentam, para possibilitar novas intervenções.

Nesse cenário de muitas transformações, desenvolvem-se os estágios que acontecem anualmente, nos quais busca-se através dos vários trabalhos desenvolvidos possibilitar aos acadêmicos um espaço de aprendizagem e reflexão que contribuam para a sua vida profissional.

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¹ Professora e supervisora de Psicologia Escolar da Faculdade de Psicologia de Joinville

 

 

HIV e AIDS – Uma vida para viver

Simone Aquino Felipe
(Estudante de psicologia – 5ºano)


ARTISTA PLÁSTICO NEWTON REIS

Ao tratarmos das siglas de HIV e AIDS, é comum, por vezes, as pessoas pensarem como sendo algo único, no entanto não é, pois há diferença entre ambos.
HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é um vírus que infecta as células e, através da sua enzima produz uma cópia do seu genoma no organismo humano, o qual pode ser transmitido pelo sangue; sêmen; secreção vaginal e no leite materno da mulher infectada. O vírus HIV leva à perda progressiva da imunidade física da pessoa, pois há queda da taxa dos linfócitos CD4, que são células muito importantes na defesa imunológica do organismo.

Havendo progresso considerável na perda do CD4, a pessoa apresenta maior comprometimento no sistema imunológico, ficando vulnerável a outras doenças – o que caracteriza a AIDS.

Entretanto, a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) é a manifestação da doença pelo vírus HIV, e os sintomas iniciais são parecidos com outras viroses, mas podem variar de acordo com a resposta imunológica de cada indivíduo.

 
“Os procedimentos a serem adotados nas desordens comportamentais, emocionais e mentais dos pacientes HIV-positivos envolvem os mesmos princípios fundamentais de outras situações clínicas: história, exame físico, diagnóstico diferencial e um plano de tratamento baseado no progresso esperado, com possibilidade de revisão se não houver evolução favorável.”(Barthett,1996, p.267)

Segundo Barthett (1996), os sintomas mais comuns são: febres constantes; manchas na pele (sarcoma de kaposi); calafrios; ínguas; dores de cabeça; de garganta e dores musculares, ou seja, são sintomas semelhantes de uma gripe, e ocorrem por 2 ou 4 semanas após a pessoa ter sido infectada pelo vírus HIV, então deixou de ser um vírus incubado para ser uma doença instalada – AIDS, sendo que muitas vezes são ignorados ou tratados como gripe. Nesta fase há alto índice de concentrações do vírus, portanto é altamente infeccioso, e nas fases mais avançadas, é comum o aparecimento de doenças oportunistas como a tuberculose; pneumonia; meningite e a toxoplasmose.

Segundo dados do Ministério da Saúde (Janeiro/2007), no Brasil, desde a identificação do primeiro caso de AIDS, que foi em 1980 até o mês de junho de 2006, foram identificados cerca de 433 mil casos da doença no país, sem ter levado em consideração os casos de HIV, portanto aqueles em que a AIDS não manifestou.

No que se refere à cidade de Joinville, a realidade é preocupante, pois o número de casos cresce ano a ano, segundo a estatística do CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) realizada em 2007, a cidade têm 3.463 adultos e 44 crianças portadoras do vírus HIV/AIDS cadastradas, sugerem que para cada caso de HIV existem 8 pessoas que não sabem da existência do vírus em seu organismo, assim, conforme as estatísticas do Ministério da Saúde, estimam que na cidade de Joinville tem aproximadamente 27.704 portadores de HIV, sem considerar nessa estatística, as pessoas que fizeram o teste em laboratórios privados.

Não há como negar a presença da AIDS, de uma forma ou de outra, na vida ou no imaginário das pessoas, pois estamos falando de uma doença a qual não é mais novidade para ninguém e que atualmente faz parte ativa do contexto social, apesar de existirem muitas questões a serem pensadas e repensadas sobre o tema. Ao falarmos de AIDS infelizmente ainda falamos do mesmo ponto crucial desde a sua descoberta, “permanece sendo uma doença incurável” até os nossos dias, é também uma questão de saúde pública e que envolve direta ou indiretamente toda a população.


A espera do diagnóstico


ARTISTA PLÁSTICO SÉRGIO RICARDO

Quando uma pessoa está na espera de um diagnóstico médico é comum a presença de ansiedade e angústia no seu quadro emocional, os quais manifestam-se através de sintomas físico e psicológico.

Assim, receber um diagnóstico de uma doença grave ou crônica, é uma das experiências que o ser humano pode vivenciar, o qual gera acentuado grau de dor e sofrimento. Haja vista que este tipo de diagnóstico pode suscitar ao paciente, emoções e afetos que tendem a desencadear reações psíquicas, facilitando o uso inconsciente de vários mecanismos de defesa, a priori os mais comuns diante de um diagnóstico são - a negação, a revolta e o isolamento.

Segundo Varella (2004), a reação do sujeito ao ter conhecimento de seu próprio diagnóstico, dependendo da organização psíquica de cada um, pode ocorrer desde a revolta à surpresa atônita, do mutismo à aceitação e do choro ao riso.

Diante do diagnóstico de uma doença crônica, o paciente tende a apresentar medo do desconhecido, possibilitando o aumento das fantasias e dos temores diante da falta temporária de explicações, apresenta também tendência a regredir emocionalmente; torna-se passivo frente ao diagnóstico e por vezes apático; emergem dúvidas sobre a doença (geralmente seus pensamentos estão voltados para idéias negativas); o desânimo e a oscilação de humor também fazem parte do quadro.

Frente ao sofrimento do paciente, faz-se necessário salientar a importância da equipe hospitalar e a sensibilidade dos profissionais em perceberem as necessidades do paciente, entendendo que como profissionais, podem auxiliar para a humanização no contexto hospitalar.


O Preconceito


ARTISTA PLÁSTICO.”JAMBO”

Diante do diagnóstico, para além do estigma que envolve o quadro de HIV/AIDS, a pessoa que é acometida também tem que se deparar com significados equivocados que a sociedade apresenta frente ao soropositivo, que é o preconceito em torno da imunodeficiência adquirida, sendo este – o pré-conceito - uma das maiores barreiras que o sujeito enfrenta, estes estigmas são desencadeados por diversos motivos, entre eles a falta de conhecimento, mitos e medos.

A AIDS por sua vez, surgiu em meio a um dos grandes tabus sociais: o ato sexual, e no surgimento da doença foi destacado que seria um mal dos grupos marginalizados: gays, prostitutas e usuários de drogas.

Conforme as estatísticas do CTA, atualmente a AIDS cresce no segmento heterossexual, principalmente entre as mulheres com maridos ou namorados fixos e também entre os idosos. Logo, não existem mais os chamados grupos de risco, contudo ainda há o julgamento moral da sociedade, favorecendo uma imagem estereotipada que é atribuída ao portador da AIDS, o que emana uma sobrecarga de preconceitos.


Experiência acadêmica


ARTISTA PLÁSTICO.NAVEGANTE

Através da prática do estágio de Psicologia Hospitalar, oferecido pela Faculdade de Psicologia de Joinville, a partir dos atendimentos psicológicos, observamos nas falas dos pacientes com AIDS pontos como: a vulnerabilidade emocional; o sofrimento físico e psíquico; as dores frente aos preconceitos e seus medos.

Percebemos também nos discursos dos pacientes, frente a necessidade de dividir suas dores, o silêncio movido pelo medo de expor o seu diagnóstico e suas fragilidades, diante de uma sociedade ainda com preconceitos, auxiliando para que a dor psíquica se intensifique, influenciando na auto- estima, no sentimento de solidão, desamparo e no medo da morte.

Os pacientes que tiveram o atendimento psicológico no hospital, relataram que ao receberem o diagnóstico, vivenciaram diversos lutos, devido aos limites impostos da condição física e psicológica, falaram das suas perdas frente à alegria, a paz, sexualidade, maternidade, do amor e relataram a dor de viver.

Alguns pacientes a partir dos lutos que se suscitaram, depararam-se com a necessidade de reverem seus sentimentos e sua vida, e nesse momento descrevem o seu maior sofrimento – a finitude, e muitos foram acometidos pela negação do diagnóstico, tendo refletido por exemplo, no abandono do tratamento medicamentoso.

O estado psíquico do paciente é um dos pontos que influencia para a qualidade de vida diante do quadro e no sucesso do tratamento medicamentoso.

 
“E falar em saúde significa pensar em promoção da saúde mental, que implica pensar o homem como totalidade, isto é, como ser biológico, psicológico e sociológico e, ao mesmo tempo, em todas as condições de vida que visam propiciar-lhe bem estar físico, mental e social.” (Bock,2002 p.357)

Vale ressaltar que o próprio tratamento farmacológico é difícil, devido aos efeitos colaterais que ocorrem para a maioria dos pacientes. É preciso que o mesmo mantenha uma dieta alimentar equilibrada; exercícios físicos; e muita persistência, pois a rotina de vida passa a ser diferenciada e regrada após o diagnóstico, sendo que tais medidas são necessárias, vindo a contribuir para um prognóstico favorável.

Assim, durante a prática do estágio observamos que o atendimento psicológico é de fundamental importância, além de proporcionar aos pacientes uma escuta “técnica” e acolhimento das dores psíquicas, também oportuniza as pessoas o reconhecimento pessoal, favorecendo possibilidades de se organizarem e ampliarem as suas perspectivas frente à qualidade de vida.


Conclusão

Em suma, podemos verificar que a experiência no estágio de psicologia hospitalar, propicia ao estudante a aprendizagem, permitindo associar questões teóricas à prática. Nessa trajetória compreendemos a importância do psicólogo hospitalar, bem como a necessidade do mesmo ter o conhecimento teórico da doença, suas etapas e seu desenvolvimento, o que possibilita a qualidade no manejo aos atendimentos.

Referências Biblíográficas

- BARTHETT, John. Tratamento Clínico da Infecção pelo HIV.São Paulo,1996

- VARELLA, D. Por um Fio.São Paulo: Companhia das letras,2004

- BOCK, Ana; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria L. T. Psicologias – Uma Introdução ao estudo de Psicologia.Saraiva,2002

- NAVEGANTE, disponível: www.dac.ufsc.br, acessado: 26/08/2007.

- JAMBO, disponível em: www.jambo.com.br, acessado: 26/08/2007.

- SÉRGIO RICARDO, disponível em: www.circuitomusical.com, acessado: 26/08/2007.

- NEWTON REIS, disponível em: www.newtonreis.com, acessado: 26/08/2007

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