Ensaios
A Auação da Psicologia Escolar/Educacional
em Joinville
Profª Ms. Rosnelda Ponick¹
A Psicologia Educacional/Escolar da Faculdade
de Psicologia de Joinville tem um longo percurso de atuações
junto às instituições da cidade. Nelas
são desenvolvidas atividades com crianças, pais,
professores, equipe técnica e outros, e os temas discutidos
são particulares, atendendo a demanda que se apresenta
naquele momento em cada espaço de trabalho.
É um campo de atuação com várias
implicações no contexto social e que tem sido
modificada radicalmente ao longo de sua história, buscando
sempre uma prática que possibilite um lugar para o
sujeito que está envolvido no cenário onde acontece
a atuação.
A Psicologia Escolar/Educacional segundo a Associação
Brasileira de Psicologia Escolar/Educacional (ABRAPEE) caracteriza
a Psicologia Escolar por uma atuação que intervem
na prática, enquanto que a dos psicólogos educacionais,
geralmente, se direcionam para as áreas de ensino e
pesquisa.
Mas, entende-se aqui que teoria e prática não
podem se desvincular, o psicólogo escolar/educacional
em seu espaço de trabalho, além da prática,
precisa ter um olhar de pesquisador, levantando dados, analisando
e avaliando o contexto e as diversas situações
que se apresentam, para possibilitar novas intervenções.
Nesse cenário de muitas transformações,
desenvolvem-se os estágios que acontecem anualmente,
nos quais busca-se através dos vários trabalhos
desenvolvidos possibilitar aos acadêmicos um espaço
de aprendizagem e reflexão que contribuam para a sua
vida profissional.
_____________________________________________________________________
¹ Professora e supervisora de Psicologia Escolar da Faculdade
de Psicologia de Joinville
HIV e AIDS – Uma vida para viver
Simone Aquino Felipe
(Estudante de psicologia – 5ºano)

ARTISTA PLÁSTICO NEWTON REIS
Ao tratarmos das siglas de HIV e AIDS, é
comum, por vezes, as pessoas pensarem como sendo algo único,
no entanto não é, pois há diferença
entre ambos.
HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é
um vírus que infecta as células e, através
da sua enzima produz uma cópia do seu genoma no organismo
humano, o qual pode ser transmitido pelo sangue; sêmen;
secreção vaginal e no leite materno da mulher
infectada. O vírus HIV leva à perda progressiva
da imunidade física da pessoa, pois há queda
da taxa dos linfócitos CD4, que são células
muito importantes na defesa imunológica do organismo.
Havendo progresso considerável na perda do CD4, a pessoa
apresenta maior comprometimento no sistema imunológico,
ficando vulnerável a outras doenças –
o que caracteriza a AIDS.
Entretanto, a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida) é a manifestação da doença
pelo vírus HIV, e os sintomas iniciais são parecidos
com outras viroses, mas podem variar de acordo com a resposta
imunológica de cada indivíduo.
| |
“Os procedimentos
a serem adotados nas desordens comportamentais, emocionais
e mentais dos pacientes HIV-positivos envolvem os mesmos
princípios fundamentais de outras situações
clínicas: história, exame físico,
diagnóstico diferencial e um plano de tratamento
baseado no progresso esperado, com possibilidade de
revisão se não houver evolução
favorável.”(Barthett,1996, p.267) |
Segundo Barthett (1996), os sintomas mais comuns
são: febres constantes; manchas na pele (sarcoma de
kaposi); calafrios; ínguas; dores de cabeça;
de garganta e dores musculares, ou seja, são sintomas
semelhantes de uma gripe, e ocorrem por 2 ou 4 semanas após
a pessoa ter sido infectada pelo vírus HIV, então
deixou de ser um vírus incubado para ser uma doença
instalada – AIDS, sendo que muitas vezes são
ignorados ou tratados como gripe. Nesta fase há alto
índice de concentrações do vírus,
portanto é altamente infeccioso, e nas fases mais avançadas,
é comum o aparecimento de doenças oportunistas
como a tuberculose; pneumonia; meningite e a toxoplasmose.
Segundo dados do Ministério da Saúde (Janeiro/2007),
no Brasil, desde a identificação do primeiro
caso de AIDS, que foi em 1980 até o mês de junho
de 2006, foram identificados cerca de 433 mil casos da doença
no país, sem ter levado em consideração
os casos de HIV, portanto aqueles em que a AIDS não
manifestou.
No que se refere à cidade de Joinville, a realidade
é preocupante, pois o número de casos cresce
ano a ano, segundo a estatística do CTA (Centro de
Testagem e Aconselhamento) realizada em 2007, a cidade têm
3.463 adultos e 44 crianças portadoras do vírus
HIV/AIDS cadastradas, sugerem que para cada caso de HIV existem
8 pessoas que não sabem da existência do vírus
em seu organismo, assim, conforme as estatísticas do
Ministério da Saúde, estimam que na cidade de
Joinville tem aproximadamente 27.704 portadores de HIV, sem
considerar nessa estatística, as pessoas que fizeram
o teste em laboratórios privados.
Não há como negar a presença da AIDS,
de uma forma ou de outra, na vida ou no imaginário
das pessoas, pois estamos falando de uma doença a qual
não é mais novidade para ninguém e que
atualmente faz parte ativa do contexto social, apesar de existirem
muitas questões a serem pensadas e repensadas sobre
o tema. Ao falarmos de AIDS infelizmente ainda falamos do
mesmo ponto crucial desde a sua descoberta, “permanece
sendo uma doença incurável” até
os nossos dias, é também uma questão
de saúde pública e que envolve direta ou indiretamente
toda a população.
A espera do diagnóstico

ARTISTA PLÁSTICO SÉRGIO RICARDO
Quando uma pessoa está na espera de um
diagnóstico médico é comum a presença
de ansiedade e angústia no seu quadro emocional, os
quais manifestam-se através de sintomas físico
e psicológico.
Assim, receber um diagnóstico de uma doença
grave ou crônica, é uma das experiências
que o ser humano pode vivenciar, o qual gera acentuado grau
de dor e sofrimento. Haja vista que este tipo de diagnóstico
pode suscitar ao paciente, emoções e afetos
que tendem a desencadear reações psíquicas,
facilitando o uso inconsciente de vários mecanismos
de defesa, a priori os mais comuns diante de um diagnóstico
são - a negação, a revolta e o isolamento.
Segundo Varella (2004), a reação do sujeito
ao ter conhecimento de seu próprio diagnóstico,
dependendo da organização psíquica de
cada um, pode ocorrer desde a revolta à surpresa atônita,
do mutismo à aceitação e do choro ao
riso.
Diante do diagnóstico de uma doença crônica,
o paciente tende a apresentar medo do desconhecido, possibilitando
o aumento das fantasias e dos temores diante da falta temporária
de explicações, apresenta também tendência
a regredir emocionalmente; torna-se passivo frente ao diagnóstico
e por vezes apático; emergem dúvidas sobre a
doença (geralmente seus pensamentos estão voltados
para idéias negativas); o desânimo e a oscilação
de humor também fazem parte do quadro.
Frente ao sofrimento do paciente, faz-se necessário
salientar a importância da equipe hospitalar e a sensibilidade
dos profissionais em perceberem as necessidades do paciente,
entendendo que como profissionais, podem auxiliar para a humanização
no contexto hospitalar.
O Preconceito
ARTISTA PLÁSTICO.”JAMBO”
Diante do diagnóstico, para além
do estigma que envolve o quadro de HIV/AIDS, a pessoa que
é acometida também tem que se deparar com significados
equivocados que a sociedade apresenta frente ao soropositivo,
que é o preconceito em torno da imunodeficiência
adquirida, sendo este – o pré-conceito - uma
das maiores barreiras que o sujeito enfrenta, estes estigmas
são desencadeados por diversos motivos, entre eles
a falta de conhecimento, mitos e medos.
A AIDS por sua vez, surgiu em meio a um dos grandes tabus
sociais: o ato sexual, e no surgimento da doença foi
destacado que seria um mal dos grupos marginalizados: gays,
prostitutas e usuários de drogas.
Conforme as estatísticas do CTA, atualmente a AIDS
cresce no segmento heterossexual, principalmente entre as
mulheres com maridos ou namorados fixos e também entre
os idosos. Logo, não existem mais os chamados grupos
de risco, contudo ainda há o julgamento moral da sociedade,
favorecendo uma imagem estereotipada que é atribuída
ao portador da AIDS, o que emana uma sobrecarga de preconceitos.
Experiência acadêmica
ARTISTA PLÁSTICO.NAVEGANTE
Através da prática do estágio
de Psicologia Hospitalar, oferecido pela Faculdade de Psicologia
de Joinville, a partir dos atendimentos psicológicos,
observamos nas falas dos pacientes com AIDS pontos como: a
vulnerabilidade emocional; o sofrimento físico e psíquico;
as dores frente aos preconceitos e seus medos.
Percebemos também nos discursos dos pacientes, frente
a necessidade de dividir suas dores, o silêncio movido
pelo medo de expor o seu diagnóstico e suas fragilidades,
diante de uma sociedade ainda com preconceitos, auxiliando
para que a dor psíquica se intensifique, influenciando
na auto- estima, no sentimento de solidão, desamparo
e no medo da morte.
Os pacientes que tiveram o atendimento psicológico
no hospital, relataram que ao receberem o diagnóstico,
vivenciaram diversos lutos, devido aos limites impostos da
condição física e psicológica,
falaram das suas perdas frente à alegria, a paz, sexualidade,
maternidade, do amor e relataram a dor de viver.
Alguns pacientes a partir dos lutos que se suscitaram, depararam-se
com a necessidade de reverem seus sentimentos e sua vida,
e nesse momento descrevem o seu maior sofrimento – a
finitude, e muitos foram acometidos pela negação
do diagnóstico, tendo refletido por exemplo, no abandono
do tratamento medicamentoso.
O estado psíquico do paciente é um dos pontos
que influencia para a qualidade de vida diante do quadro e
no sucesso do tratamento medicamentoso.
| |
“E falar em
saúde significa pensar em promoção
da saúde mental, que implica pensar o homem como
totalidade, isto é, como ser biológico,
psicológico e sociológico e, ao mesmo
tempo, em todas as condições de vida que
visam propiciar-lhe bem estar físico, mental
e social.” (Bock,2002 p.357) |
Vale ressaltar que o próprio tratamento
farmacológico é difícil, devido aos efeitos
colaterais que ocorrem para a maioria dos pacientes. É
preciso que o mesmo mantenha uma dieta alimentar equilibrada;
exercícios físicos; e muita persistência,
pois a rotina de vida passa a ser diferenciada e regrada após
o diagnóstico, sendo que tais medidas são necessárias,
vindo a contribuir para um prognóstico favorável.
Assim, durante a prática do estágio observamos
que o atendimento psicológico é de fundamental
importância, além de proporcionar aos pacientes
uma escuta “técnica” e acolhimento das
dores psíquicas, também oportuniza as pessoas
o reconhecimento pessoal, favorecendo possibilidades de se
organizarem e ampliarem as suas perspectivas frente à
qualidade de vida.
Conclusão
Em suma, podemos verificar que a experiência
no estágio de psicologia hospitalar, propicia ao estudante
a aprendizagem, permitindo associar questões teóricas
à prática. Nessa trajetória compreendemos
a importância do psicólogo hospitalar, bem como
a necessidade do mesmo ter o conhecimento teórico da
doença, suas etapas e seu desenvolvimento, o que possibilita
a qualidade no manejo aos atendimentos.
Referências Biblíográficas
- BARTHETT, John. Tratamento Clínico
da Infecção pelo HIV.São Paulo,1996
- VARELLA, D. Por um Fio.São Paulo:
Companhia das letras,2004
- BOCK, Ana; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria L. T. Psicologias
– Uma Introdução ao estudo de Psicologia.Saraiva,2002
- NAVEGANTE, disponível: www.dac.ufsc.br, acessado:
26/08/2007.
- JAMBO, disponível em: www.jambo.com.br, acessado:
26/08/2007.
- SÉRGIO RICARDO, disponível em: www.circuitomusical.com,
acessado: 26/08/2007.
- NEWTON REIS, disponível em: www.newtonreis.com, acessado:
26/08/2007
|